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Entre as teorias que tratam da estratégia corporativa ou empresarial, a que se destaca nos últimos anos é a RBV (ou VBR quando traduzida para o Português), que á a “Resource Based View” (Visão Baseada em Recursos).
Em seu artigo publicado no “Journal of Management” em 1991, Jay Barney estabelece relações entre os recursos das empresas e a geração de vantagens competitivas sustentáveis. Sua análise se baseia em quatro indicadores empíricos de potencialidade dos recursos de uma empresa: o valor (V), a raridade (R), a imitabilidade (I), e a substituibilidade (S). Esses indicadores formaram o conhecido conceito de VRIS, que pode ser entendido como uma das bases da RBV (resource based view).
Posteriormente, no livro publicado por Barney em 2007, esses indicadores aparecem de uma forma levemente modificada. Os três primeiros foram praticamente mantidos, porém o último, a substituibilidade (S) foi trocado pela organização (O). Quais os motivos que levaram Barney fazer essa substituição e alteração na teoria da RBV?
Em ambas as publicações, o autor utiliza como tema central a existência de vantagens competitivas que podem fazer com que determinadas empresas se sobressaiam frente a seus concorrentes. Segundo ele, entende-se que uma empresa possui uma vantagem competitiva quando adota uma estratégia de criação de valor, que não seja adotada por nenhum outro competidor. Esta vantagem competitiva será sustentável, se os concorrentes, atuais ou potenciais, não tiverem a capacidade de copiar ou imitar a estratégia no curto prazo. Primeiramente vamos analisar os indicadores que permaneceram praticamente inalterados entre 1991 e 2007.
Recursos de valor: recursos são considerados de valor quando eles possibilitam que uma empresa conceba ou adote estratégias que melhorem a sua eficiência e efetividade (1991), ou conforme o texto de 2007,a questão do Valor trata dos recursos e capacidades de uma empresa que permitem que a mesma explore oportunidades externas ou neutralize ameaças externas. Analisando a capacidade ou o recurso deve-se perguntar se o mesmo é capaz de permitir a exploração de uma oportunidade externa ou neutralizar os possíveis efeitos de uma ameaça externa. Podemos perceber que embora mantido o conceito de valor, os enfoques são diferentes nos distintos momentos de análise do autor. No primeiro, em 1991, ele enfatiza que o foco é a estratégia advinda do recurso de valor, enquanto em 2007 o foco está no recurso em si, e sua capacidade de permitir que efeitos externos sejam explorados ou neutralizados.
Recursos raros: por definição o recurso de valor de uma empresa não poderá ser uma fonte de vantagem competitiva, se for possuído por um grande numero de competidores, ou potenciais competidores. Se um determinado recurso considerado de valor está presente em um grande número de competidores, então cada um destes competidores tem a capacidade de adotar uma estratégia que explore o valor do referido recurso, assim sendo o recurso não é raro e não é capaz de gerar uma vantagem competitiva, afirmou Barney em 1991. Em 2007: O pressuposto é que, se um recurso ou capacidade é controlado por muitos concorrentes de determinada indústria, dificilmente será fonte de vantagem competitiva para qualquer um deles. Recursos e capacidades valiosos, mas comuns (isto é, não raros) são fontes de paridade competitiva e não de vantagem competitiva. Como vemos, não há diferenças conceituais ou de foco entre as duas definições.
Recursos inimitáveis: um recurso de valor e raro somente poderá ser gerador de vantagem competitiva sustentável se as empresas que não o possuem, não o puderem conseguir (texto de 1991). Na mesma linha de pensamento e raciocínio, em 2007, a definição do indicador é a seguinte: os recursos raros e valiosos só poderão ser fontes de vantagem competitiva sustentável, caso as empresas que não os possuem, enfrentem uma desvantagem de custo para obtê-los ou desenvolvê-los. Isto caracteriza os recursos inimitáveis, e define a questão da Imitabilidade. Percebemos nesse caso a existência de um pouco mais de flexibilidade do autor com relação a Imitabilidade ou não do recurso. Em 2007 ele ressalta o fato de que um concorrente pode conseguir reproduzir determinado recurso, porém esta reprodução, se conseguida com custo superior, torna a imitação limitada, e permite à empresa que dispõe do recurso a custo mais baixo, a possibilidade de desfrutar de uma vantagem competitiva.
Trataremos agora do último indicador presente nas publicações de 1991 e 2007.
É possível perceber que o modelo de 2007 (VRIO) está mais voltado para a aplicação prática de uma teoria, uma vez que busca elementos que possibilite aos gestores a avaliação objetiva de seus recursos quanto a geração ou não de vantagens competitivas. Percebemos também que o indicador da possibilidade de substituição ou não do recurso (o "S" de 1991 no modelo VRIS) acaba ficando embutido na Imitabilidade de 2007. Ao lermos as definições de 1991, conhecendo as de 2007, é possível notar que a conceituação da substituibilidade é demasiadamente teórica, e que de certa forma repete conceitos já vistos quando tratamos da Imitabilidade. Assim, o modelo atual (VRIO) parece ter sido apresentado de forma a permitir uma maior aproximação entre a teoria e prática.
Referências:
BARNEY, Jay – Firm Resources and Sustained Competitive Advantage – Journal of Management, 1991, Vol. 17, Nº 1, 99-120.
Prof. Sérgio Farah |
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